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Ilha das Pombas

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São livros.
Velhos tomos abandonados
na estante do tempo,
guardando no silêncio das páginas
mil histórias, mil mistérios
que a memória já esqueceu.

O pescador que não voltou
de um dia de má sorte,
bote e alma vazios, eterno espanto.
A noiva que em vão picou os dedos
naquele vestido branco
que era um sonho bordado,
e nos pontos cruzados se perdeu.
O poeta que ouviu um dia um não mais duro
e se lançou voando,
asas presas para sempre no azul sem fim.
O menino que falava com as gaivotas
e com elas se ria do futuro.
Os amantes que tanto prometeram
e tão pouco cumpriram, afinal.
Os amigos que fizeram um pacto de sangue,
um por todos, todos por um…

São livros.
Orgulhosos e belos,
encostados ao tempo,
amparando-se no tempo
e com ele resistindo, resistindo
ao sopro gélido das nortadas,
ao impiedoso abraço das ondas,
até que todos os mistérios se desvendem.

(Baleal, 9/9/2007)

Ana Vidal
Dulcineia

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Fotos: MC

Comments

Já que todo o bando adoptou nomes castelhanos, deixo a Cornualha, mudo-me de armas e bagagens para España e passo a chamar-me Dulcinea. O meu reino pelos amigos!
Capitán, mudas-me o nome na assinatura do poema?


Vá lá Mimster muda a assinatura do poema da Ana de LADY GUINEVERE para DULCINEA, até porque que o
Don Quixote sou eu...

ah ah ah !!!!!!!!

Manel,

Acho que tens mais a ver com o Zorro, o salvador (de longa data) do pueblo Baleal, mas registo o elogio.
Mas tem cuidado: agora o piropo é crime...

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