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Paradoxo - 2

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Todos os sítios têm estradas com passeios e passeios com estradas. Verdade? Nem sempre. O sítio do Baleal tem estradas sem passeios e passeios sem estradas. Como aos paradoxos as pessoas nunca são estranhas, este que desenho agora ganha uma dimensão diferente, pelo facto de, no contexto balealense que descrevi, as pessoas andarem na estrada quando não há passeios e andarem nos passeios quando a falta de estrada nem assim desautoriza os carros de neles transitarem. Um atropelamento fatal nessas condições configuraria, para mim, uma das variantes inaceitáveis do paradoxo essencial: o convívio absurdo da vida e da morte.

Na estrada que conduz a Ferrel ou que a mesma Ferrel para trás deixa, conforme o sentido de circulação - e de onde as Berlengas, no contraste com o Baleal, parecem ganhar em dimensão e também em beleza projectando aos nossos olhos a sua natureza tutelar, - há uma passadeira de peões, território de vida de onde o homicídio pelos meus olhos quase entrou e cujo trama sintetizo: uma família que se apresta a utilizar a passadeira, um carro que pára, cumprindo um dever explícito, e um outro carro de matrícula francesa que, trilhando os caminhos da barbárie a que muitos automobilistas abnegadamente se dedicam, ultrapassa o primeiro carro, roçando, loucamente acelerado, aquelas vidas que, por via desse raspar aparente, só por um triz ainda hoje existem. Sentimo-nos, então, eu e o outro condutor cumpridor, possuídos por um direito o qual geralmente é tacitamente negado a todos os que vão mergulhando na maturidade: o direito à indignação, exercitado e verbalizado, por nós os dois, na altura, com veemência e sem pudores. Pudesse ou quisesse o francês reagir ao nosso ruidoso desassossego e, estou certo, sangue haveria quase no mesmo sítio onde momentos antes a sua presença foi evitada por aquilo que me pareceu um providencial desígnio.

Subitamente, uma especialista em auto-ajuda , num recente programa de “As Tardes da Júlia” da TVI, enuncia o postulado de que “inteligência e perdão andam de mãos dadas”. Diz logo a seguir uma deserdada da sorte que “a vida vai-me pregando umas rasteiras mas quando isso acontece, pisco-lhe o olho e sorrio”. Marcaram estas frases o meu ponto de viragem, momentâneo, rumo à razão; o regresso ao menino “sensível” que sempre fui. Peço-vos por isso que não façam caso do último período do 2º parágrafo porque nele mora o império dos impulsos; um desejo do diabo; consubstancia o primado da emoção que é próprio daqueles que não pensam, reagem apenas. Hoje, saibam, perdoei ao francês e estou certo que, se o visse, lhe piscaria o olho e na direcção dele sorriria.

Miguel Leal
Sargento-Mor en un pueblo manchego, lejos de mi patria

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Fotos: Google e montagem MC

Comments

A que descreves é uma situação muito comum, principalmente nas grandes cidades.
E o que acontece é o segundo carro fugir e o que estava parado ficar com enormes problemas de consciência, além de ter que socorrer a vítima.
El Capitán

Só agora é que reparei que o Mário me chamou "latagão" na entrada sobre o Outono. Já me chamaram muitas coisas, mas esta é uma estreia absoluta! Fiquei traumatizada. Uma dama nobre e delicada como eu, "latagão"??? Por Dios, Capitán! Nunca mais deixo cair o meu lencinho de renda para si!

Dulcinea de las Olas e los Vientos (llorando su malasuerte)

Miguel, não acho que a inteligência seja forçosamente aliada do perdão. Não gosto de homens que não respeitam as suas emoções, acho-os incompletos. Penso também que, por vezes, é a emoção que dá o último argumento à razão. Confuso? Um bocadinho.

Muito a propósito de paradoxos, alguém já reparou que no blog do AB está uma seta a apontar para aqui? E NINGUÉM COMENTA ISTO? MAS VOCÊS ANDAM A DORMIR, Ó QUÊ?

Ó Madalena: como me disse o Cage , no outro dia, este blog, por via da maneira como o outro acabou, arrisca-se a ser um blog de um grupo restrito de amigos. E não é tão boa a amizade? Reguêmo-la.


Miguel Leal. O Sargento...

Querido Miguel, ainda ontem te pedi para escreveres e tu cumpriste os meus desejos. Obrigada. Gosto da tua escrita, escreves bem e já te disse isso. Gostei do teu texto, mas eu no meu boguinhas não estou para paradoxos, nem meias medidas, sou um desassossego Não consigo piscar o olho e sorrir.

É verdade que este Blog se tornou mais um Blog de amigos, por isso é que eu participo neste, quando no outro só escrevi uma vez (Mas ia lá fazer uma visita todos os dias!)

UMA NOTA AO CAPITÁN: Veja lá como trata as donzelas deste Blog, que elas são poucas, há que conservá-las, ou como costumas dizer - "passar a mão pelo pêlo."

Un beso
ORIANA

Malta: outro mistério. Quem será esta querida Oriana. eu tenho uma ideia mas...

Ó Cage, por onde andas?

Miguel Leal

Miguel, quase que te vejo a dizer a frase do teu comentário... Mas apesar de achar que não sabes quem sou, peço-te que não me denuncies.
Sou uma donzela tímida e delicada...

Un beso
ORIANA

Não vejo mal nenhum em que este blog seja de um grupo de amigos, pelo contrário. As portas estão sempre abertas para quem se quiser juntar ao baile e saiba dançar (acho que posso falar por todos), porque o que nos interessa é a qualidade e não a quantidade.
Parece-me que deve estar muita gente à espreita, a ver em que param as modas. Pois que vão poisando, já ou com mais tempo de "quarentena", serão bem vindos.

Ana Vidal
Dulcinea de las Olas y los Vientos

Estou de acordo que o sabor da intimidade de um grupo de amigos patente neste Blog (com B grande, não esqueçam ! Faz parte do logotipo) é francamente agradável e reconfortante.

Porém se houvesse mais uns....

Manuel Teixeira
Don Quixote de la Mancha

Eles virão, Manel. Dá-lhes tempo e espaço, e vais ver que aparecem.
Mas se não vierem... olha, cá estaremos nós para brincar, reflectir, discutir e embirrar uns com os outros, até sabe Deus quando!

Ana

Quem sabe podíamos fazer um convite simpático?

Dulcineia. Dulcineia
"Latagões" era para o Miguel mais a sua dupla personalidade.
Para ti, seria uma qualquer flor: crisântemo, margarida, camélia (que não melada), jarro claro que não, mas nunca latagão.
Erros gramaticais por causa do novo TLEPS ou lá como é que aquela porcaria se chama...
A todos:
Tenho estado ausente deste
debate mas tenho ideias sobre o assunto que só logo posso veicular, por mera falta de tempo.

Mas atenção: na segunda-feira batemos o record de visitas: 210, raramente atingidas pelo AB. mesmo com todos os viezes de interpretação, 58% dos visitantes fizeram-no só uma vez, ou seja, não é a Dulcineia que, estilo PSD, "paga as quotas da gente toda".

Abraços e confiança. E quem quiser comentar, comenta, quem não quiser não comenta, e quem for insultado (como as donzelas o foram) que respingue e me dê nas orelhas... mas de mansinho...
El Capitán

210, só num dia?
Eu não disse? Eles andem aí...

Quanto a ti, Capitán, safaste-te à tangente com essa flor que me trouxeste da Isla Negra. Sou uma moça com bom feitio (às vezes, enfim).
Mas já te espalhaste outra vez com essa das quotas: tu controlas as vezes que eu venho aqui???? Como é que fazes isso? Atenção, meu povo, o Capitán está a ficar com tiques de Fidel...

Explicação: a minha profissão implica um computador à frente todo o dia. De vez em quando, NO MEIO DO TRABALHO, vou espreitando este e outros blogs para ver o que há de novo. É simples, não pago quotas a ninguém. Nem as minhas, às vezes.

Dulcinea de las Olas e blá, blá, blá...

Capitán , capitán!!! Não sabia que dava para ver quem vem ao blog e quantas vezes por dia!?! Mas também sou pouco experiente nestes bailes. A verdade é que me tornei uma viciada deste e de outros blogs. E como também passo muitas horas ao computador a trabalhar, ando sempre a espreitar as actualizações, os comentários, ou até mesmo a ler entradas mais antigas. Tomei-lhe o gosto! Imaginem que antes de ir dormir leio blogs em ver de ler os meus livrinhos. Alguém sabe a cura para esta doença?

Un beso
ORIANA

Mulheres deste blog, unamo-nos!
Oriana, conto contigo. Será que os homens levaram a sério as alcunhas e estão a ficar medievais? Mais uns tempinhos e oferecem-nos umas burkas!

Dulcinea

Conta comigo Dulcinea!Unidas sempre!!! Mas quantas somos? Três? Não faz mal é como os mosqueteiros!...Un, deux, trois... en garde!

Pensando bem podiamos dar-lhes umas ceroulas! El Capitán está quase a fazer anos! Belo presente!

UN BESO
ORIANA

UN BESO
ORIANA

Meninas, somos três mas valemos por trinta! Não é assim, "moços"?

E só para saberem, se o blogmaster quiser, além de quantos vêm pode saber quem vem. É o SIS all over again.

Eh, Meninas!
Calma no geniceu!
Eu NÃO disse que controlava QUEM vinha cá, mas sim o total de visitas e se são primeira vez (a virgindade, portanto). Nada de nicknames, nick cages ou mails.
Por outro lado, Dulcineia, estás desactualizada: o Fidel foi arrasado pelo Chavez. Oito horas de discurso, ou "disco de urso"!
Vá, não sejam más e deixem-se desses ataques pessoais, porque, se não, ainda acreditam mesmo que este Blog é apenas uma tertúlia de amigos.. e é de Amigos!
Abraços, beijinhos, pontapés e beliscões
El Capitán

Já sabe, miúda. Andas distraída. A mim já me acusou de vir aqui vezes de mais. Desta vez fiquei ofendida e nem com flores te safas, Capitán. Nem com camélias meladas. Vais ter que puxar pela imaginação se quiseres ser perdoado, e exijo um joelho em terra, pelo menos.

Dulcinea

Olha, comentámos ao mesmo tempo! Também estás a vir muito aqui, Capitán!

E agora até a virgindade?? Isto vai de mal a pior...

Capitán não é apenas de Amigos, mas também o é. E nós não somos más...
Ufa, por pouco pensei que me tinhas descoberto a careca... e eu que sou uma donzela de farto cabelo.
Dulcinea, podemos continuar a vir cá as vezes que quisermos... Ali o Capitán não sabe se somos nós ou não.

BESOS
ORIANA

Não sei, Oriana. Quero saber tudo isso da boca do Capitán, que está muito caladinho...

Andamos as duas a saltar de Blog para Blog... Já respondi ao teu comentário no outro...

Capitán vem satisfazer a curiosidade destas donzelas... Onde andas?

ORIANA

LOL! É assim que aumentam as estatísticas, Oriana...

Ana

Capitán, Capitán... Então? Primeiro as senhoras! Então onde anda o cavalheiro que há em ti? Satisfaz a minha curiosidade ... sabes quantas vezes é que eu vim cá hoje?

Te regalo un beso muy grande luego que me contestes
ORIANA

Ó Miguel, o comportamento humano na estrada, quer como condutores quer como peões, deveria ser alvo de estudo, pois trás ao de cima o pior ou o melhor que há em nós.
Por mim não vejo nada de mais, pois senão conseguir-mos descomprimir as nossas pressões, como as panelas de pressão, rebentamos. Portanto é sempre melhor deixar sair um pouco do vapor que há em nós, para não corrermos o risco de explodir e nos tornarmos homens bombas. Já basta os suicidas que por aí existem prontos para se sacrificarem em nome de Alá, na esperança das 72 virgens, que entretanto se esgotaram certamente.

Outra coisa que não entendo, querida Ana, são as tuas doutas palavras: perdão; emoção; razão; confusão. Olha, também acaba em ão, prefiro uma boa explosão no momento certo. Tem mais a ver com o nosso espírito tuga.
Querida Madalena, reparei sim senhora, na subtileza do nosso, sim senhor, blogmaster, esqueci-me de fazer o comentário. Fica aqui a nota, sim senhora.

Ao nosso Sargento Miguel, tenho a certeza que este blog não vai correr esse risco de ser simplesmente para um grupo restrito, e que corresse. Ele anda a ser observado, como diz o nosso Capitán, e a seu tempo, nem que seja lá para o próximo Verão todos ou mais aparecerão. Mas tem que ser o nosso encantamento a trazê-los.

E para as donzelas, não abandonem estes velhos lobos, que sem as lobas ficam perdidos, como o velho cão se perdeu da dona nas estepes Africanas. Esta senão perceberam, é poque tem a ver com um mail que o Miguel me mandou, e que me fartei de rir.
Bem tenho que ir senão ainda me despedem…
Bjs, pp, cavaleiro de Santiago.

Como posso entrar em contacto com El capitan?

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